Caro António,
A sua visão sobre este tema é inspiradora.
Vejamos:
embarco um peixe de bico ou outro qualquer sempre que o tiver na linha. E mais nada! Tainhas, bogas e salemas: cuidem-se que senão embarcam!
seria uma grande estupidez não trazer o peixe para casa e fazer uns belos bifes Isso mesmo, bifes de cebolada ou de tomatada, crus, bem ou mal passados. Marcham!
por muitos argumentos que se utilizem, estudos, etc, um peixe depois de combatido dificilmente (acho eu) terá hipóteses de voltar ao que era, penso que na maior parte das vezes serve de alimento aos tubarões. Agora percebo porquê que os tubarões no Algarve andam tão mansos. Com tanto espadim de 200kg a ser libertado no verão, inevitavelmente servirão de pasto a tubarões e, sendo assim, estão os banhistas nas nossas praias protegidos de alguma dentada da maléfica espécie. Por acaso, o último anequim que libertei cheirava a bife de espadim. Inevitavelmente o sabor intenso a espadim que os tubarões libertados apresentam, tem vindo a contribuir para o aumento do canibalismo na espécie, pelo menos é o que dizem os entendidos nos estudos.
os entendidos nos estudos, têm uma taxa de recuperação de etiquetas que não é zero, mas muito próximo. Aí está uma boa explicação e logo vinda dos entendidos nos estudos. Não há nenhum espadim no oceano que, mais dia menos dia, não acabe inevitavelmente por ser capturado. Portanto, os que levam com etiquetas, como não são recapturados certamente morreram e foram devorados pelos tubarões. Não poderão pois, como é óbvio, ser recapturados. Eis uma boa hipótese de trabalho para os Biólogos Marinhos da Universidade do Algarve: procurar etiquetas em caca de tubarão! Já vejo o impacto na comunidade científica dum artigo intitulado “searching tags on shark stools”! O Cavaco é que tem razão: dediquemo-nos às Ciências do Mar!
os longliners são uns malandros, mas não podem ser resposta para tudo. Não podem não senhor. Aliás a série que passa todas as 4ªs f às 21:15 no Discovery Channel demonstra-o até à exaustão.
faz parte da história, a quase extinção do bufalo nos EUA, foi devido a estupidez do ser humano e pela gula. acho que ainda estamos a tempo de não repetir tal desiderato. Mau, em que é que ficamos? Comemos bifes de búfalo ou não? Hmm, já percebi: quem comeu bife de búfalo e quase extinguiu o dito animal, foi estúpido e cometeu o pecado da gula. Quem come bife de espadim, é inteligente e nada guloso. Fá-lo apenas para evitar que os tubarões se regalem com os ditos bifes (de espadim), prevenindo assim o canibalismo na espécie. Puxa, custou mas percebi!
pesco para me divertir e para alimentar quando assim é a família.Ora essa, e então a família dos tubarões, a tubarona, o tubarãozinho filho, o neto, não têm que se alimentar? Tomos somos criaturas de Deus…
há sempre desportivamente, se o animal partir as linhas todas que seja, mas se eu tiver a arte de o pescar, que seja também Troque lá isto por miúdos, que o meus neurónios já fervem, e com esta griparam. Bloqueei. Para intervalar e arrefecer os ditos miolos, cá vão as minhas pérolas no assunto em discussão no tópico, ou seja “
em que circunstância você embarca um peixe de bico”. É um assunto que me continua a interessar bastante, está longe de estar esgotado e tenho imensas idéias sobre o tema. Entre as muitas ideias que tenho, tenho ideias muitissimo concretas sobre as múltiplas circunstâncias que levam o pessoal a embarcar os ditos espadins. Todas têm um denominador comum: são pecaminosas.
Eis a minha lista:
- porque é o primeiro azul do barco, primeiro azul do pescador, primeiro azul do amigo do pescador
- porque é o primeiro branco do barco, primeiro branco do pescador, primeiro branco do amigo do pescador
- porque é o primeiro spear do barco, primeiro spear do pescador, primeiro spear do amigo do pescador
-porque é recorde do mundo, recorde da Europa, recorde de Portugal, recorde da Associação, recorde da Federação, recorde da EFSA, recorde do Clube, recorde da terra, recorde da marina, recorde da rua, recorde da família, recorde do barco, recorde do pescador, recorde do amigo do pescador
- porque tem sangue nas guelras, sangue no bico, sangue no bucho, sangue a jorros, sangue com fartura
- porque tem anzol no olho, anzol no sobrolho, anzol no treçolho
- porque vinha ferido de morte
- porque sou contra touradas e, sendo assim, acho que é desumano espetar uma etiqueta num espadim
- porque deu uma pancada na hélice, pancada na amurada de bombordo, pancada na amurada de estibordo, pancada na popa, pancada na proa
- porque tinha o bico partido, bico semipartido, bico quase partido, bico rachado
-porque vinha todo rasgado, vinha todo rasgadinho, vinha rasgado de lado a lado, vinha rasgado de cima a baixo
- porque não gosto de alimentar tubarões azuis, porque não gosto de alimentar tubarões martelos, porque não gosto de alimentar tubarões brancos, porque não gosto de alimentar tubarões em geral
- porque não quero contribuir para o canibalismo entre os tubarões
- porque queria uma fotografia para mostrar aos netos, à avozinha, à namorada, à esposa não vá ela pensar que não fui à pesca, à amiga boazona da namorada que ando de olho nela
- para pendurar no largo central do Cercal do Alentejo ou noutro Cercal qualquer
- para empalar, para mumificar, para contemplar
- para vender que o gasoil tá caro
- para dar de comer (bifes) á família, nomeadamente ao afilhado para que o afilhado sirva no restaurante como (bifes de) espadarte grelhado que ninguém dá por nada
- para dar de comer aos vizinhos, sobretudo para dar de comer à vizinha boazona do 1ª esq a ver se a consigo papar
- porque me deu para ali, não sei o que é que me deu, matei mas estou arrependido
- para provar que não sou fundamentalista
- porque gosto
- porque não?
- porque sim.
Confesso que também já pequei . Rezei vinte terços completos, mas aparentemente terei que um dia peregrinar a Fátima e calcorrear a grande Praça de joelhos, de preferência com um pouco de sangue à mistura. Só então expiarei as minhas fraquezas.
O primeiro branco que matei de forma deliberada foi para “provar que não sou fundamentalista”.
http://www.facebook.com/album.php?id=100000405876175&aid=5097&s=20&hash=d332416b2d3a5fbc3072afef13151cac#!/photo.php?pid=58453&id=100000405876175 O segundo foi porque sim.
://www.facebook.com/album.php?id=100000405876175&aid=5097&s=20&hash=d332416b2d3a5fbc3072afef13151cac#!/photo.php?pid=58450&id=100000405876175Quando finalmente der cabo dum Grander terei provavelmente que ir expiar a Santiago de Compostela ou quem sabe, pregar-me numa Cruz ao estilo das Filipinas. Mas que diabo, um Grander bem vale o rigor da expiação…
Mas bem no fundo, tenho uma secreta esperança que os trinta e tal bicos que libertei se afigurem como atenuantes no dia do Juízo Final.